quinta-feira, 30 de abril de 2020

Coleções do Museu | Cerâmica | Placa Heráldica | 30 de Abril de 2020

Placa de cerâmica com as armas de D.Jorge de Almeida, Bispo de Coimbra de 1483 a 1543. O escudo, esquartelado, apresenta, as armas dos Almeida e dos Silvas. em alternância. sendo encimando pelo chapéu eclesiástico, com as borlas de arcebispo, privilégio dos Bispos da Diocese de Coimbra.
O brasão é enquadrado por duas colunas com fuste azul, que assentam sobre bases pintadas em ocre, terminando em capiteis, que suportam um arco trilobado também em ocre. Na base, a legenda NEQID NIMIS ( Não de mais ), divisa do Bispo. 


Placa Heráldica
Séc. XVI
49 x 45 cm
MNMC 1400

'O Olhar do Visitante' | O olhar partilhado por ‘The Carer’

Semanalmente queremos dar visibilidade ao ‘olhar do visitante’ com as múltiplas abordagens que o Museu desperta a quem o visita. Esta quinta-feira apresentamos o olhar partilhado por ‘The Carer’: 


quarta-feira, 29 de abril de 2020

A ‘ESCOLHA... DO CONSERVADOR’ | Tapeçaria Flamenga ‘Marte e Vénus surpreendidos por Vulcano’, do séc. XVI | 29 Abril de 2020

Às quartas-feiras, pela mão do conservador ou do comissário destacamos algumas das suas escolhas de obras das coleções do Museu.
HOJE, na rúbrica ‘A ESCOLHA… DO CONSERVADOR’, ‘viajamos’ até à Antiguidade Clássica greco-romana e ao mito do amor proibido de Vénus e Marte, por Pedro Ferrão, o conservador da coleção de Têxteis do MNMC, que escolheu apresentar a tapeçaria flamenga ‘Marte e Vénus surpreendidos por Vulcano’, do séc. XVI.
 
Conheça o episódio que esta representação evoca!




Coleções do Museu | Têxteis | Frontal de altar | 29 de Abril de 2020

De provável origem chinesa, este frontal de altar é bordado a ouro e seda matizada.
Duas cercaduras com animais fantásticos e hastes floridas envolvem o medalhão central, delimitado por aneis concêntricos floridos, no qual se representa a cena mitológica do "Rapto de Ganimedes por Júpiter". Esta peça decorava um dos altares do Mosteiro do Lorvão.


Frontal de altar
Séc. XVII
105 x 365 cm
MNMC 6366

Dia Internacional da Dança | 29 de Abril de 2020

Instituído pelo Comité Internacional da Dança (CID) da UNESCO, em 1982, o Dia Internacional da Dança é celebrado na data de nascimento do bailarino e mestre de bailado Jean-Georges Noverre (29 de abril 1727), considerado um dos pioneiros da dança moderna.
HOJE, devido ao confinamento, o palco é online e o MNMC associa-se a esta comemoração apresentando algumas performances realizadas pelo percurso expositivo, levando o Museu até si através desta linguagem universal!

terça-feira, 28 de abril de 2020

Projeto 'EU no MusEU'

Dando continuidade à nossa rúbrica das terças-feiras em que divulgamos alguns dos projetos mais inovadores do MNMC, em parceria com diferentes instituições, nomeadamente na área da acessibilidade e inclusão, apresentamos hoje o projeto ‘EU no MusEU’.
O 'EU no musEU' – programa de inclusão cognitiva e social para pessoas com demência e seus cuidadores – desenvolve-se, desde 2011, em parceria com a Alzheimer Portugal, com os objetivos de estabelecer diálogos entre a história de vida dos participantes e a arte, através de estimulação cognitiva, e introduzir práticas de educação não formal com a arte junto dos cuidadores, promovendo momentos de bem-estar e a cidadania ativa de ambos.
Quase nove anos depois, os números das pessoas com perturbações cognitivas do tipo Doença de Alzheimer (demência) aumentaram exponencialmente, multiplicaram-se os programas sociais para os adultos idosos em geral e para estes públicos em particular…
Em Portugal, o 'EU no musEU' foi replicado em 2018 em Viseu, e foi sendo distinguido com vários prémios - Menção Honrosa da Acesso Cultura, 2015; Prémio Envelhecimento Ativo, Vida+, Ageing@Coimbra e CCDRC, 2018; Prémio Acesso Cultura 2019, para a acessibilidade integrada, no conjunto dos projetos de inclusão do MNMC – ; surge ainda referenciado pela Comissão Nacional para os Direitos Humanos, desde 2017.
A partir de janeiro de 2019 o 'EU no musEU', no MNMC, conta com a colaboração do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (MCUC) para o desenvolvimento da programação das suas sessões mensais.
Mesmo em conjuntura adversa de pandemia, continuamos a levar às pessoas com demência e seus cuidadores as sessões programadas, através de recursos digitais.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Hoje, #emRevista, a rúbrica das segundas-feiras nesta quarentena, recuperamos um dos momentos mais marcantes na história do MNMC: a reabertura integral ao público deste espaço museológico, em 2012, que encerrou um ciclo de requalificação e ampliação, constituindo não só a maior transformação a que o Museu foi submetido ao longo da sua história com um século de existência (fundado em 1911 e inaugurado em 1913), mas também uma das mais importantes intervenções operadas em museus portugueses.
'Um Museu Centenário num Edifício Milenar', onde pode visitar diversas coleções em exposição permanente, cujo horizonte temporal se situa entre o século I e o século XX, classificado Património Mundial do Bem – Universidade de Coimbra, Alta e Sofia -, pela UNESCO, em 2019.

Boa visita!

domingo, 26 de abril de 2020

‘VErso e REverso da obra de arte’ | Senhora da Rosa | 26 de Abril de 2020

Hoje desfolhamos mais uma página de #versoREverso da obra de arte, a nossa rúbrica de domingo, no capítulo da Pintura Portuguesa com a obra ‘Nossa Senhora da Rosa’, do século XV (MNMC11266), e a poesia de João Miguel Fernandes Jorge na voz de Cândida Ferreira.

‘Senhora da Rosa’

Tem uma rosa nas mãos
cardo
em flor – E a Senhora,
da Rosa
pergunta ao Infante seu Filho
que sorri e estende as mãos
para o rosa dessa rosa E
a Senhora pergunta-lhe – Meu
Filho, e se lhe desse esta rosa
este cardo em flor? E
o Infante sorri, sorri ainda bem
mais. Então a Senhora da
Rosa tirou do seu colo a rosa e
deu-a
àquele
que de rude saial
e de trapos por
manto lhes guardava a imagem
para um tempo sem fim E o
belo incendeia –
com uma rosa entre os dedos
cardo por florir



sábado, 25 de abril de 2020

Não nos esquecemos que hoje é sábado, dia que dedicamos aos mais novos! Neste dia especial, sugerimos um exercício imaginativo: como seria a sua vida se não tivessem a liberdade de ser, estar e fazer o que quisessem? Na verdade, este período de isolamento, em que todos passamos tanto tempo em casa, pode servir como exemplo para uma realidade que era ainda mais restrita e difícil.
Deixamos também o desenho (em duas versões) de cravos, para colorirem e espalharem pela casa, ou para enviarem aos avós ou aos amigos, afastando dias de tristeza e de silêncio!

Colcha | Séc. XVIII | MNMC 6309

 


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Puzzle | Colcha | Séc. XVIII | MNMC 6309

‘A Arte, o Tempo e o Homem’

Mesmo em confinamento estamos a preparar as sessões dos projetos de inclusão do Museu. Hoje, destacamos ‘A Arte, o Tempo e o Homem’, um projeto que surgiu no ano letivo 2010/2011, em parceria com a Direção Geral de Reinserção Social, nomeadamente com a equipa multidisciplinar de Educação e Formação de Inserção Laboral.
O plano de trabalho é dirigido a jovens menores de 18 anos que cumprem medidas de internamento em regime fechado e semiaberto, em consequência de sentenças judiciais referentes a processos-crime, no Centro Educativo dos Olivais.
Partindo de um princípio base de democratização no acesso aos bens culturais e patrimoniais, na promoção de uma atitude crítica perante a Arte, o Tempo e o Homem, foram desenvolvidos vários projetos de maneira a promover o contacto com diversas formas de expressão artística, fruto de diferentes épocas históricas; constatar, de uma forma prática e com o contributo das obras de arte, que o conceito de cidadania se reflete em todas as atividades humanas e em qualquer época e local geográfico.
No presente ano letivo estamos a celebrar os quinhentos anos da
circum-navegação da Terra, por Fernão de Magalhães, com atividades desenvolvidas por Catarina Figueiredo e Maria José Costa.



Visite o MNMC sem sair de casa!

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

HOJE | Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor
'100 anos 100 obras • 100 years 100 pieces'
Publicação no âmbito das comemorações do Centenário do MNMC.
Boas leituras com Arte! 

Edição: Museu Nacional de Machado de Castro/ Direção-Geral do Património Cultural
Data: setembro 2017
Esta publicação pode ser adquirida na loja do MNMC.
 
António Augusto Gonçalves | Primeiro Diretor do MNMC (1913-1928)

O 'Olhar do Visitante' | O olhar partilhado por António Aguiar

Dedicamos as quintas-feiras ao 'olhar do visitante'.
Hoje, apresentamos o Museu pelo olhar de António Aguiar.

 

quarta-feira, 22 de abril de 2020

A ‘ESCOLHA... DO CONSERVADOR’ | Retrato do Imperador Trajano | 22 Abril de 2020

Hoje, Dia Mundial da Terra, vamos falar de romanos, exímios na gestão de recursos naturais, designadamente dos recursos hídricos,
prosseguindo a apresentação da rúbrica das quartas-feiras - ‘A ESCOLHA… DO CONSERVADOR’.
Pelo olhar de Carlos Santos, vamos conhecer o retrato do Imperador Trajano (séc. I – séc. II).
A cidade romana de 'Aeminium' foi fundada há 2000 anos no espaço que é, atualmente, Coimbra. A área agora ocupada pelo MNMC era, nessa altura, o Fórum. Para a sua sustentação, os romanos criaram uma plataforma de dois andares abobadados - o Criptopórtico, tema abordado #emRevista, esta segunda-feira. Ali foi encontrada a escultura de mármore que representa Trajano (MNMC 10134), coroado de louros. O artista, provincial, segue de perto o tipo ‘coroa cívica’ e transmite, de forma rude mas expressiva, a forte personalidade do 'Optimus Princeps'.
Conheça a história que esta escultura evoca!


Retrato de Trajano
Séc. I – Séc. II
70 x 32 x 34 cm
MNMC 10134

MNMC em Quarentena | 2020

O MNMC encontra-se temporariamente encerrado ao público, até data a anunciar, na sequência do estado de emergência nacional e das medidas excecionais decretadas para conter a propagação do covid-19 – já declarado pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Nestes dias de distanciamento social, as nossas rotinas alteraram-se necessariamente #ficaemcasa. Contudo, continuamos ativos #estamosON e especialmente empenhados em manter e reforçar a relação de proximidade e de confiança com o público, dando a conhecer as nossas coleções, projetos e atividade.

segunda-feira | em Revista
Vamos passar #emRevista alguns dos momentos mais marcantes do MNMC na última década - a reabertura após Requalificação e Ampliação, o Centenário, Visitas, Exposições, entrevistas, espetáculos.
#museumachadodecastro

20 abril

Reabertura Criptopórtico de Aeminium | 2009


Reconstituição virtual do Forum romano da cidade de Aeminium
terça-feira | projetos
Conheça alguns dos projetos mais inovadores do MNMC, em parceria com diferentes instituições, que têm merecido o olhar da comunidade e a referência de boas práticas em diferentes áreas de intervenção, da investigação, à educação, à acessibilidade e inclusão e à música.

17 abril

Preparação das sessões dos projetos de inclusão do Museu com as equipas de voluntários(as) a partir de casa

21 abril

‘PATRIMÓNIOS. Frei Cipriano da Cruz em Coimbra’ no âmbito da Coimbra Capital Nacional da Cultura



quarta-feira | visitas e obras em destaque
Pela mão do conservador ou do comissário, vamos
apresentar algumas das suas escolhas de obras das coleções do Museu, colocando-as em destaque ou em exposições temáticas diversas, sob a sua
perspetiva histórica e técnica.



quinta-feira | o olhar do visitante
As múltiplas abordagens e olhares que o Museu desperta, na atualidade, aos seus visitantes, constituem por vezes momentos de partilha únicos, a que queremos dar visibilidade e reconhecimento.

16 abril

O MNMC pelo olhar da equipa do W360

                                                                                  
sexta-feira | com Reservas
Em destaque estarão, em direto nesta rubrica, os ‘invisíveis’ do Museu – obras em reserva ou trabalho quase oculto, apresentado na primeira pessoa pela equipa que estuda e cuida do Museu.
#oquenemsempresesevê
                                                                                
sábado | Museomania
Leitura de livros ou contos, jogos de exploração, quizz ou pistas de descoberta, ou desenhos para colecionar e colorir, são algumas das propostas que deixamos para o fim de semana em família.
#museudivertido #museuemfamilia
                                                                               
domingo | versoREverso da obra de arte
Elegendo o Museu como o lugar poético da memória, este projeto constitui-se como um encontro entre a obra de arte e a palavra poética, lançando um outro olhar sobre algumas obras de referência deste Museu. Reveja a comemoração da Semana Santa no MNMC, com o #versoREverso da obra de arte.

19 abril

Retábulo do Corpo de Deus | Massacre de Lisboa de 1506



terça-feira, 21 de abril de 2020

Coleções do Museu | Pintura | S. Cosme e S. Damião | 21 de Abril de 2020

Datável de 1530-32, esta tábua apresenta uma iconografia muito próxima das descrições da vida e milagres dos dois irmãos médicos que terão sido martirizados no séc. III. Milagre póstumo, é descrito por exemplo na Legenda Aurea (c. 1260) de Jacques de Voragine: o sacristão da sua igreja de Roma, tinha uma perna gangrenada; enquanto dormia, os Santos amputaram-lhe a perna doente e substituíram-na pela de um etíope recém sepultado, curando-o. A perna negra é aqui evidente por comparação com as restantes carnações do moribundo. Outro dado cativa a atenção do observador: a composição descentrada, que pode ter origem numa mutilação antiga desta obra.

S. Cosme e S. Damião
Séc. XVI. 2º quartel
127,5 x 54,8 cm
MNMC 2540

Hoje comemora-se o dia de Santo Anselmo

É um bom dia para lembrar um amplo projeto desenvolvido pelo MNMC, no âmbito da Coimbra Capital Nacional da Cultura - o projeto ‘PATRIMÓNIOS. Frei Cipriano da Cruz em Coimbra’.
Este projeto visava identificar e divulgar a obra deste monge-escultor, responsável por todo o programa decorativo de umas das mais belas edificações da cidade - a Igreja do Colégio de S. Bento - (lamentavelmente!) demolida em 1932.
Reunido, pela primeira vez desde então, todo este espólio entretanto disperso pelo país (em 11 instituições), foi também objeto de uma obra monográfica, com documentação inédita, determinante para a sua localização atual e para a identificação dos diferentes pintores/douradores, que com o escultor trabalharam.
Monge beneditino, Santo Anselmo, proclamado Doutor da Igreja em bula papal de Clemente XI em 1720, foi o primeiro teólogo-filósofo, célebre sobretudo pela sua produção teórica, na qual formula a prova ontológica da existência de Deus e defende a Imaculada Conceição da Virgem. É, por isso, também um dos Doutores da Virgem.
Para além da grande qualidade escultórica da obra de Frei Cipriano, esta representação de Santo Anselmo é também rara pela sua policromia, evidenciando um grande avanço tecnológico, sobretudo patente nos bordados de aplicação que imitam os têxteis. O autor deste trabalho foi também identificado nesta monografia – o pintor portuense Manuel Ferreira (1684-1691) - celebrando a importância do trabalho colaborativo no processo criativo deste importante legado.


Santo Anselmo (MNMC 1904)


O MNMC aceita o desafio do MNAC - Museu Nacional de Arte Contemporânea, seguindo um movimento internacional solidário para os museus e as suas equipas, em todo o mundo, partilhando algumas das mais belas flores das nossas coleções, já reunidas e oferecidas através no nosso Instagram.
Para ajudar a colorir estes dias cinzentos!
 Desafiamos, também nós o Museu Nacional de Soares dos Reis!

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Coleções do Museu | Desenho | Colégio de Jesus | 20 de Abril de 2020

O Colégio de Jesus constituiu o grande alvo da política cultural do Marquês: fazer acreditar que os Jesuítas – por ele proscritos em 1759 – tinham estagnado o ensino em Portugal, foi um dos meios para erradicar a Companhia e, no caso específico de Coimbra, poder usar o vasto colégio para as instalações das novas faculdades de Medicina e Filosofia.
Assim, este quarteirão passaria para a alçada da Universidade, à exceção da Igreja e do canto sudoeste, adstritos à Diocese e ao Cabido.
A planta mostra a adaptação do complexo jesuítico às novas funções, existindo no Museu plantas parcelares que a especificam.
Este plano de implantação, copiado por Manoel de Souza Ramos, um dos oficiais ajudantes de William Elsden, apresenta a cores as várias dependências que assim permanecerão até à atualidade, com exceção do ângulo do Hospital que, no séc. XIX, foi alvo de grande remodelação, sendo mais tarde transferido para os colégios de S. Jerónimo e das Artes.

Colégio de Jesus
c. 1773
43 x 54,7 cm
MNMC 2893

Da monumentalidade do Criptopórtico de Aeminium ao Forum Romano | 20 de Abril de 2020

O Criptopórtico de Aeminium, datado do século I D.C., considerado o melhor edifício de época romana conservado em Portugal. Com uma função arquitetónica, o Criptopórtico serviu de plataforma para erguer o Forum romano: praça pública onde se realizavam as principais funções da urbe - religiosa, política e administrativa.
Partilhamos, agora, a reconstituição virtual do Forum romano da cidade de Aeminium.
 

Reabertura do Criptopórtico de Aeminium, em 2009

Neste período de quarentena, todas as segundas-feiras vamos passar em revista alguns dos momentos mais marcantes do MNMC na última década. Hoje, começamos pela reabertura do Criptopórtico de Aeminium, em 2009.  

Boa visita!

domingo, 19 de abril de 2020

‘VErso e REverso da obra de arte’ | Retábulo do Corpo de Deus | 19 de Abril de 2020

Numa altura em que velhos ódios religiosos voltam a reacender-se, torna-se importante recordar o massacre de Lisboa de 1506. Tudo começou no Convento de S. Domingos, a 19 de abril de 1506. A peste assolava a capital desde outubro do ano anterior, situação dramaticamente ampliada pela seca e pela fome. A igreja de São Domingos estava repleta de cristãos – velhos e novos – esperando um sinal divino que acudisse àqueles desesperados. Um milagre terá ocorrido: uma luz brilhou, incandescente, no crucifixo da capela da Igreja. Todos viram. Todos rejubilaram, menos um cristão-novo que ousou duvidar da natureza divina da luz. No seu entendimento, a luz provinha de uma das muitas candeias acesas naquele convento. Mal proferiu semelhante blasfémia, o povo caiu sobre ele, arrastou-o para a rua e agrediu-o barbaramente até cair inanimado.
Ato contínuo, um clima de intolerância cresceu e espalhou-se pelas ruas de Lisboa. Os cristãos procuravam e perseguiam os antigos judeus, forçando a entrada nas suas casas, capturando aqueles que se haviam recolhido nas igrejas, carregando mortos e vivos para as fogueiras que se acendiam na capital. Foram três dias de terror, pilhagem e carnificina, de que resultariam, de acordo com os cronistas da época, entre dois e quatro mil mortos.
Ainda que seja de uma época anterior e tenha acontecido numa circunstância diversa, o Retábulo do Corpo de Deus, do século XV, (MNMC4023), é uma peça do Museu que recorda um episódio de heresia cometido por um judeu conimbricense contra a partícula sagrada de Cristo, e que apresentamos hoje no #versoREverso da obra de arte, com a poesia de Isabel Pires na voz de Luís Moura Ramos.

‘Diante do Retábulo do Corpus Christi’

Na minha primeira comunhão,
quando a hóstia passou pela garganta,
foi assim.
Quando desci a nave, deslizaram por mim
uns feios azulejos na parede.
Não havia anjos com asas vermelhas e azuis,
não havia retábulo. Foi apenas
um dia luminoso de menina.
Na minha primeira comunhão
não tinha asas. Só tive de as inventar
quando deixei a infância.

Isabel Pires


Retábulo do Corpo de Deus, do século XV, (MNMC4023) | Vídeo

Retábulo do Corpo de Deus
Séc. XV
112 x 95 x 30 cm
MNMC 4023




sábado, 18 de abril de 2020

Concerto de reabertura do MNMC

 Antestreia do Coimbra Gospel Choir, realizado na Capela do Tesoureiro do Museu Nacional Machado de Castro





Património da Educação - Azulejos que ensinam

A coleção de azulejos didáticos do Museu Nacional de Machado de Castro é constituída por 20 exemplares, de proveniência e data de incorporação imprecisas. Catorze representam teoremas matemáticos, quatro, motivos relativos à Astronomia e dois, experiências relacionadas com a Física.
A descoberta, em 2010, de dois fragmentos de azulejos, pelos arqueólogos Sónia Filipe e Paulo Morgado, junto ao antigo Colégio de Jesus, leva a concluir, com grande certeza, que os azulejos matemáticos estiveram expostos num colégio jesuíta em Coimbra, seguramente depois de 1654 (data da publicação da edição de Tacquet de Os Elementos de Euclides), certamente depois de 1692, em resposta à Ordenação de Tirso Gonzales, e antes da expulsão dos Jesuítas de Portugal, em 1759. Terão sido destruídos durante a Reforma Pombalina e entulhados durante as obras do Iluminismo. Esta descoberta permitiu sem sombra de dúvida concluir que estes azulejos ensinaram ciência nos colégios jesuítas em Coimbra.

No Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, não podemos esquecer os mais pequenos.

Fica aqui mais um desenho para colecionar e colorir!
Para provar que o património nos inspira, que tal copiar o modelo das proteções individuais deste cavaleiro? Faziam jeito nesta quarentena, não acham?
Cavaleiro Medieval
MNMC704
Mestre Pero
1325 d.C. - 1350 d.C.
Escultura em calcário representando um cavaleiro vestido de guerreiro, com grande elmo, cota de malha, escudo de armas e espada, sapatos de bico e esporas. O cavalo está coberto com uma gualdrapa. O escudo tem as armas de Domingos Joanes: de azul, com aspa de prata acompanhada de quatro flores-de-lis de ouro.


Cavaleiro Medieval
MNMC704
Mestre Pero
1325 d.C. - 1350 d.C.


Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (DIMS2020) Culturas Partilhadas, Património Partilhado, Responsabilidade Partilhada

A partilha de testemunhos de um legado de valor universal excecional, marca da história e identidade cultural de um território urbano e de uma comunidade – sítio, monumentos, coleções e práticas culturais – é o desafio que a Universidade de Coimbra (UC), a Associação Ruas e o Museu Nacional de Machado de Castro (MNMC) apresentam, colaborativamente, neste DIMS2020.
A responsabilização coletiva na preservação, salvaguarda e valorização do património numa área classificada pela UNESCO, pressupõe a adoção de procedimentos conjuntos, sobretudo nos atributos, significados e valores que ancoram esse reconhecimento.
Pela existência de coleções cruciais para a compreensão da evolução histórica do ensino e da cultura, que constituem esta herança comum, a nossa participação neste evento envolve a divulgação de duas dessas coleções – os azulejos didáticos, do ensino dos jesuítas, e as obras do pintor modernista Manuel Jardim, um espólio cuja propriedade é partilhada pelo MNMC e a UC - nos respetivos canais de comunicação, através de dois documentários produzidos pela UCV. Na impossibilidade de realização do concerto comemorativo DIMS2020, num dos espaços emblemáticos da área classificada, dadas as circunstâncias conjunturais de estado de emergência nacional, será igualmente difundida um registo musical realizado num momento culturalmente relevante para a cidade.


Umas vezes moderno, outras à margem do seu tempo, Manuel Jardim concebeu uma vocação artística singular. Atualizaria, em grande medida, uma certa linguagem pictórica que se poderia considerar de uma modernidade classicizante, mas nunca académica, ao incorporar na sua obra distintas influências do impressionismo e do pós-impressionismo.
O Professor da Faculdade de Medicina, Henrique de Vilhena, primo e confidente de Manuel Jardim, seria o depositário da obra deste pintor modernista. Ainda em vida legaria o espólio do pintor à Universidade de Coimbra e ao Museu Nacional de Machado de Castro, sendo esta herança – partilhada por estas duas instituições e guardada nas reservas do museu conimbricense - constituída por 424 obras de vários formatos e técnicas artísticas. Esse vasto espólio compreende numerosas academias e desenhos, pequenas e rápidas pochades e diversos quadros a óleo, nos quais se destacam o corpo humano, com realce para a figura da mulher, e a paisagem.

Projetos de inclusão do Museu

Mesmo em confinamento estamos a preparar com as respetivas equipas de voluntários(as) as sessões dos projetos de inclusão do Museu.

Dims2020 | Dia Internacional dos Monumentos e Sítios | 18 de Abril de 2020

Património partilhado
A partilha de testemunhos de um legado de valor universal excecional, marca da história e identidade cultural de um território urbano e de uma comunidade – sítio, monumentos, coleções e práticas culturais – é o desafio que a Universidade de Coimbra (UC), a Associação RUAS e o Museu Nacional de Machado de Castro (MNMC) apresentam, colaborativamente, neste DIMS2020. 
SIGA-NOS!
 
 
 
 
 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Newsletter da Quarentena | 2020

Acompanhe diariamente as atividades do MNMC e participe nos desafios que lhe lançaremos ao longo da quarentena.  
 

Coleções do Museu | Joalharia | Pendente | 17 de Abril de 2020

O fulgor dos esmaltes policromos, enriquecidos de pedrarias e pérolas, conjuga-se na perfeição com a modernidade da forma deste pendente em ouro, proveniente do Convento de Santa Clara. Composto por uma moldura triangular, apresenta, ao centro, uma representação miniatural de Nossa Senhora da Conceição.

Pendente (Frente)
Séc. XVII. Inícios
4,8 x 4,8 cm
MNMC 3428

Pendente (Verso)
Séc. XVII. Inícios
4,8 x 4,8 cm
MNMC 3428

Coleções do Museu | Arqueologia | Lápide Honorífica | 17 de Abril de 2020

Descoberta em 1888, esta lápide, dedicada pela cidade de Aeminium ao «dileto príncipe Flávio Valério Constâncio, nascido para o bem e progresso da República, pio, feliz, invicto, augusto, pontífice máximo, com o poder tribunício, pai da pátria, procônsul», tem a maior importância para Coimbra.
Antes de mais, por ter confirmado documentalmente o seu nome romano; em segundo lugar, porque a data de 305-306, que os atributos do imperador estabelecem para a dedicatória, sugere que a grande benfeitoria concedida por Constâncio Cloro possa ter sido a construção da muralha.
De entre as hipóteses possíveis, esta é a mais plausível pela concordância da datação com os factos históricos conhecidos para a Lusitânia.

Lápide Honorífica
Séc. IV
135 x 47 x 14 cm
MNMC 150

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Rubrica ‘O olhar do visitante’ | 16 de Abril de 2020

As múltiplas abordagens e olhares que o Museu desperta, na atualidade, aos seus visitantes, constituem por vezes momentos de partilha únicos, a que queremos dar visibilidade e reconhecimento todas as quintas-feiras, na rubrica ‘O olhar do visitante’.
Hoje propomos o olhar partilhado pelo W360: 

'Museus Centenários de Portugal' - vol. II | 16 de Abril de 2020

'Museus Centenários de Portugal' - vol. II
Já se encontra disponível nas lojas dos CTT, físicas e online, o volume II de 'Museus Centenários de Portugal'.
Da autoria de Cristina Cordeiro e fotografia de Manuel Aguiar inclui visitas a 12 museus portugueses, entre eles o Museu Nacional de Machado de Castro.
Saiba mais em:
 









quarta-feira, 15 de abril de 2020

Dia do Desenhador | 15 de Abril de 2020

E porque HOJE se celebra também o Dia do Desenhador, convidamos todos os nossos seguidores artistas a manifestarem a sua paixão pela arte enviando um desenho, texto, vídeo, ou foto.
Para os mais pequeninos, fica aqui mais um desenho para colecionar e colorir! Um pormenor de Azulejos (MNMC1428), do século XVII, representando um padrão da 'família das camélias', produzido em Lisboa.
Participem, divulguem, celebrem a arte e o desenho!


Azulejos (MNMC1428)




Dia Mundial Da Arte | 15 de Abril de 2020

Este dia foi escolhido por ser a data de nascimento (1452) de Leonardo da Vinci, um dos maiores génios artísticos de todos os tempos. Pintor italiano, escultor, desenhador, arquiteto, anatomista, poeta (e muito mais!) é considerado o Homem do Renascimento.
O objetivo desta comemoração, aprovada em 2012 pela IAA (International Art Association), é dar a conhecer a importância da arte e do pensamento criativo para a evolução do pensamento humano e para resolução de problemas que nos inquietam.
A Arte é parte do nosso património, da nossa identidade, dos nossos sentimentos como povo, como cultura e como seres humanos.
É por isso essencial, hoje mais do que nunca, celebrar a arte!
Nestes tempos difíceis, é imperativo lembrar também neste dia todos aqueles que fazem Arte, com o seu corpo, com pintura, escultura, música, com a sua voz ou os seus textos e todo o tipo de expressão, que tão bem nos fazem à alma e ao coração.

Assinalando este dia, e porque todas as quartas-feiras queremos trazer aqui uma visita ou obra em destaque, propomos rever o programa ‘Visita Guiada’, dedicado ao conjunto escultórico ‘Última Ceia’, executada entre 1530-34, pelo escultor Hodart Vyryo. Contemporâneo de Leonardo da Vinci, cuja trajetória certamente se cruzou, Hodart legou-nos uma obra verdadeiramente incontornável no panorama da arte nacional. Com um percurso histórico profundamente conturbado, o ‘renascimento’ desta obra de arte, única, testemunha também que é sempre possível reverter eventuais fatalidades!

‘Visita Guiada’, dedicado ao conjunto escultórico ‘Última Ceia’, executada entre 1530-34, pelo escultor Hodart Vyryo 

‘Última Ceia’ de Hodart Vyryo, conjunto escultórico em terracota (MNMC 867/877)

‘Última Ceia’ de Hodart Vyryo, conjunto escultórico em terracota (MNMC 867/877)





terça-feira, 14 de abril de 2020

'Os Avós do Museu’

Hoje é dia de recordarmos um dos projetos mais inovadores do MNMC, que se desenvolveu a partir da rubrica 'Voz dos Avós'.

'Os Avós do Museu’ 
Um projeto intergeracional de partilha de conhecimentos e experiências de adultos idosos, destinado a dar a conhecer o Museu e as suas coleções, ao público infantil (pré-escolar e 1º ciclo do ensino básico), promovendo também um envelhecimento ativo e saudável.
Iniciado em 2015, no âmbito das Comemorações do Dia Internacional do Idoso (1 de outubro), divulgado pelo consórcio Ageing@Coimbra e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), o projeto é, desde 2018, promovido através de uma parceria protocolada entre o MNMC, o Consórcio Ageing@Coimbra e a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC).
É desenvolvido por um grupo de 'Avós' voluntários que, a partir das suas histórias de vida, reinterpretam as obras de arte e espaços do Museu a ‘netos’, em grupo escolar ou por iniciativa da família, que queiram participar e interagir.
Convidamo-lo(a) a assistir a uma sessão deste projeto, no MNMC:
 

La Fontaine e o projeto do MNMC ‘A Voz dos Avós’

A 13 de abril de 1695 morreu Jean de La Fontaine, poeta francês considerado o pai da fábula moderna.A fábula é uma narrativa alegórica, em forma de prosa ou verso, cujos personagens são geralmente animais que sustentam um diálogo, e cujo desenlace reflete uma lição de moral. Conhecidas por muitos e transmitidas pela tradição oral, de geração em geração, estas histórias em que os animais são protagonistas desmascaram defeitos humanos de forma subtil e irónica. A temática é variada e contempla tópicos como a vitória dos fracos sobre os fortes, da bondade sobre a astúcia e a derrota de presunçosos e vaidosos.
O MNMC possui nas suas coleções um conjunto de 13 cadeiras e um canapé (MNMC 6016-6029), do séc. XVIII, em nogueira, estofados com tapeçaria de Beauvais, e decoradas, no espaldar, assento e braços, com grinaldas de flores e no assento, com tema extraído das Fábulas de La Fontaine.A leitura das fábulas, a partir destas peças, esteve na origem do projeto ‘A Voz dos Avós’, um encontro que promovendo a leitura, se constituía como um espaço de diálogo entre gerações.
Convidamos a ouvir, em família, uma das mais recentes interpretações de algumas fábulas (ed. 2018), com o estilo leve e bem-humorado de José Jorge Letria - ‘Vinte fábulas pequeninas para meninos e meninas!’




domingo, 12 de abril de 2020

A equipa do MNMC deseja uma Feliz e Santa Páscoa | 12 de Abril de 2020

Tríptico da Aparição de Cristo à Virgem (MNMC 2515 – 2517)


'VErso e REverso da obra de arte' | 'Cristo no Túmulo' | 12 de Abril de 2020

Domingo de Páscoa! Hoje, os cristãos celebram a ressurreição de Jesus Cristo no terceiro dia após a sua morte. É um dia de homenagem à vida e morte de Cristo e de glorificação do seu sofrimento.
Para assinalar esta data partilhamos consigo a obra 'Cristo no Túmulo' (MNMC 851), com a poesia de Isabel Pires, 'O Cristo em Paz', na voz de Ricardo Kalash.



'O Cristo em Paz'
Apetece estar em paz, como ele está,
e descansar. O século vinte e um
força-me a uma órbita excêntrica
em redor do coração e leva-me
ao exílio. Convir-me-ia o relógio
que pousa num corpo que respira –
não penso em morrer já. Convir-me-ia
esta música macia dos ossos,
as mãos sem frenesim, os dedos
estendidos para o nada. Estou cansada
do eterno apocalipse, e ponho aqui
uma mancha avermelhada
que ultrapassa as margens do papel.
Estou farta do excesso deste mundo,
E mais não digo. Vou dormir.
Isabel Pires


'Cristo no Túmulo' (MNMC 851)

'Cristo no Túmulo' (MNMC 851)