sábado, 27 de junho de 2020

[comRESERVAS]

Ontem, Pedro Ferrão, conservador do Museu, apresenta a obra 'Le Déjeuner' de Manuel Jardim, pintor do primeiro modernismo português, realizada para o Salão de Paris, em 1911. A pintura retrata um momento de intimidade do artista, tendo sido muito apreciada pela crítica, naquela que foi uma fase decisiva na carreira de Manuel Jardim.

Boa visita!

27 junho | 16h00 | (Re)habitar

O MNMC é ponto de paragem no percurso urbano pelas casas dos poetas ao longo da Alta e da Baixa de Coimbra, que irá realizar-se no próximo sábado, 27 junho, com início às 16h00, e replicação no dia 11 de julho.
Deixar que 'as casas de fora nos olhem pelas janelas' é o mote para descobrir 'testemunhos de vida', reencontrar as palavras de poetas nas casas que habitaram e nos lugares de partilha que sentiram como segunda casa.
Percurso | Biblioteca Joanina – Pátio das Escolas – Faculdade de Letras – Museu Nacional de Machado de Castro – Sé Nova – Rua da Matemática – Rua das Flores – Couraça dos Apóstolos – Santa Cruz – Café A Brasileira – Sé Velha – Torre do Anto – Casa da Escrita
Mediante inscrição: bonifratesbilheteira@gmail.com ou 916 615 388
Atividade em parceria com a Bonifrates - Cooperativa de Produções Teatrais e Realizações Culturais
Participe!


Celebração dos 7 anos da classificação do Bem 'Universidade de Coimbra - Alta e Sofia' Património Mundial da Humanidade pela UNESCO

SETE são as maravilhas do mundo, as notas musicais, os dias da semana. Segundo a Bíblia, Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, fazendo dele um dia santo. Sete simboliza a renovação, entre vários significados que lhe são atribuídos.
Foi este o número que pautou o final de tarde da segunda-feira passada, no MNMC, na celebração dos 7 anos da classificação do Bem 'Universidade de Coimbra - Alta e Sofia' como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, figurando o MNMC como membro desde 7.7.2019.
Comemorámos com a rúbrica #versoREverso da obra de arte, num encontro entre 7 peças da coleção do Museu e a declamação de 7 poemas, seguindo-se a atuação do coletivo de 7 mulheres ‘Segue-me à Capela’. 






DATA EXTRA 28 junho | 11h | 'O Contador'

'O Contador' é um espetáculo de narração ao ar livre protagonizado por Tiago Duarte, que 'viaja' pelos contos de Charles Perrault, Hans Christian Andersen, Irmãos Grimm até aos contos tradicionais portugueses.
Inscrição: 964 090 165 | Estação das Letras
O espetáculo cumpre as normas de proteção e segurança da Direção-Geral da Saúde e Direção-Geral do Património Cultural. 

Uso recomendado de máscara.


sexta-feira, 26 de junho de 2020

‘VErso e REverso da obra de arte’ | Berlinda | 21 de Junho de 2020

‘(…) Hum coche rico prompto com seis guarnições promptas e capazes de servir’ que pertenceu a D. Francisco Lemos é a proposta de hoje, na rúbrica #versoREverso da obra de arte. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma berlinda (século XVIII | MNMC7350), nome derivado de Berlim, a cidade onde foi criada em 1660, e que inspirou João Miguel Fernandes Jorge no poema ‘Berlinda’, declamado por Cândida Ferreira.

‘Berlinda’

Vai passar o bispo-conde.
A um canto da carruagem o risco de obra cartas
projectos a reforma do ministro «Sê forte por
mim. Aconselha sobre o que faça.»
«É o reino assim tão estreito?»
O carroção por quebradas ruas
por atalho fora de portas
«Em qualquer aldeia rude
em terra ou sobre o mar mantém-te longe de moléstia
demagoga. Que tens com esse homem de ferro.»
O rodado da carruagem leva-o, cão sem dono envolto
no roxo pano «Escreve
demora-te nos tormentos que roem a luz incerta
da vida.»
Olhou pela estreita janela. A lama sujava o vidro.
Uma raposa aventura-se no
arvoredo dos frades de Santa Cruz. Veloz
o dourado olhar
esconde-se entre duas estreitas ervas.

João Miguel Fernandes Jorge

Boa visita!

Museomania

 MUSEOMANIA... a rúbrica que dedicamos, em cada sábado, aos mais novos e às famílias!
Para desenvolverem uma atividade em família propomos mais um puzzle com o 'Tríptico de Santa Clara' do século XV (MNMC2521-2524), que assenta na ideia de Cristo Redentor pela Eucaristia: no painel central – Santa Clara e o milagre da Custódia – Cristo ressuscitado, consubstanciado na hóstia, afugenta os infiéis. A predela regista o momento-chave deste programa eucarístico: a Ceia. Pertenceu ao Mosteiro de Santa Clara de Coimbra.


[comRESERVAS]

Dar a conhecer os 'invisíveis' do Museu é o mote da rúbrica das sextas-feiras [comRESERVAS].
HOJE, o conservador Pedro Ferrão leva-nos à reserva de ourivesaria do MNMC para nos apresentar a Cruz-Relicário do Santo Lenho, datada do século XVI (MNMC6090), proveniente do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Cruz latina com a escultura de vulto de Cristo crucificado, contém no interior do mostruário a relíquia do Santo Lento - pequenos fragmentos de madeira retirados da cruz em que Cristo foi crucificado - sendo a relíquia mais reverenciada pelo Cristianismo.
Conheça a história que esta peça evoca!

Atividades no MNMC

Participe nas atividades que preparámos para si de acordo com o plano de desconfinamento e as normas de proteção e segurança da DGS e DGPC.
 
Inscreva-se!


No dia 19 de Junho de 1731...

O escultor e patrono do MNMC, Joaquim Machado de Castro, nasceu em Coimbra há 289 anos (1731-1822). O seu nome foi atribuído a este Museu pelo primeiro diretor, António Augusto Gonçalves, em homenagem ao maior vulto da escultura nacional. Nomeado escultor régio a partir de 1782, durante os reinados de D. José I, D. Maria e D. João VI, Machado de Castro nunca deixou de lutar pela dignificação da escultura e do seu ofício. Foi o primeiro escultor português a teorizar sobre essa arte, traçando as coordenadas essenciais de uma metodologia que se reflete na sua vasta obra.
Nesse dia partilhámos o trabalho de um grupo de crianças que, inspirando-se na figura de Machado de Castro, realizaram uma escultura em papier mâché durante um atelier no MNMC. 






Mais um motivo para nos visitar!


‘VErso e REverso da obra de arte’ | Custódia do Sacramento | 14 de Junho de 2020

Na rúbrica #versoREverso da obra de arte, apresentamos a Custódia do Sacramento (MNMC6584), da coleção de Ourivesaria do MNMC. Uma peça do século XVIII, de grande efeito cenográfico devido ao contraste entre a madeira policroma do anjo, o resplendor de prata e o brilho das pedras do hostiário, que inspirou Isabel Pires no poema 'O Triunfo do Barroco', declamado por Paula Sobral.
'O Triunfo do Barroco'

O meu olhar é bravo e diagonal, mede
o abismo que se exala deste monstro.
Nem sequer entendo o que me afasta
desta prata triunfante em catarata barroca,
globo brutal com seu caleidoscópio de pedrinhas.
Tudo me perturba: sou estrangeira
numa terra estranha onde tropeço. Nem sei
entender esta beleza. A desmesura
é completa, dirige-se a um deus que não conheço.
E arregalo os olhos, para que caiba também
o anjo atlante. Vejo as multidões a meio da tarde,
no rio pardo e obediente de cada profissão
que ele domina. O anjo hercúleo
vai suportando a orbe, como um Atlas cortesão
e bem vestido. Saberia dirigir-se a um rei,
e eu não sei. Com que convicção ele ergue os braços!
Tudo anuncia a glória, a declamação, a absoluta
certeza, o toque do clarim. Tempo de velhos
escravos, de brasis, de áfricas pretas,
de gigas e minuetes, de fabricada harmonia
dos servos e dos senhores. O anjo do Sacramento
resguarda a ordem do mundo nos seus braços retesados
e expulsa-me para a terra de onde vim:
estou a vinte metros, de olhos escancarados,
a habitar um tempo sem certezas.

Isabel Pires

Boa visita!

Museomania

Sábados são dias de MUSEOMANIA…
Nesta rúbrica semanal dedicada aos mais novos e famílias, propomos mais um puzzle, com diferentes níveis de dificuldade, para desenvolverem uma atividade em família.
Sugerimos que explores um fragmento de tecido do século XVI (MNMC6459), pertencente à coleção de têxteis do MNMC, muito colorido!
Este fragmento de seda, bordado a fio de seda matizado e fio laminado de papel dourado, é provavelmente de origem chinesa. O bordado, de notável execução, representa variados exemplares exóticos da fauna e da flora orientais. Terá pertencido ao Mosteiro do Lorvão e foi posteriormente adaptado a frontal de altar ou pano de púlpito.


sexta-feira, 12 de junho de 2020

Rúbrica [comRESERVAS]

HOJE, Virgínia Gomes, conservadora do Museu, apresenta alguns desenhos de António Augusto Gonçalves, o primeiro diretor do MNMC (1913-1929). Autodidata, fundador da Escola Livre de Artes do Desenho, em 1878, António Augusto Gonçalves, conhecido pelo rigor e minúcia com que desenhava, pretendia que estes se constituíssem como documentos históricos de registo e salvaguarda do património.
 
Boa visita!


Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Trata-se de um feriado nacional que assinala a morte do poeta Luís Vaz de Camões, a 10 de junho de 1580. Celebra-se, assim, a língua, a cultura e as comunidades portuguesas espalhadas por todo o mundo.
Comemorámos esse dia com a gravura de madeira da autoria de Augusto Nunes Pereira (MNMC GCC220), impressa em papel, a tinta da china, com o tema comemorativo do IV Centenário da publicação de 'Os Lusíadas' (1572/1972). O tema central, colocado no canto inferior direito, apresenta um rótulo semi-oval, onde se insere o busto de Luís de Camões. Este é representado com o olho direito fechado, barba comprida, coroa de louros envolvendo a cabeça e gola de folhos enrolados, à maneira da sua época. A parte inferior do rótulo é interrompida por reserva mistilínea, onde foi desenhada uma ave (fénix?). Envolvendo o tema do homenageado está uma figura (a musa inspiradora do poeta), de traços estilizados em meio corpo com o livro aberto e uma capa esvoaçante decorada com motivos geometrizantes (retangulares e linhas ondeadas rodiais).


‘VErso e REverso da obra de arte’ | Cruz-Relicário

Na rúbrica #versoREverso da obra de arte, continuamos a folhear o capítulo da coleção de Ourivesaria do MNMC e apresentamos a Cruz-relicário do século XVII, associada a São Francisco Xavier (MNMC6210), que inspirou Isabel Pires no poema ‘O Caranguejo’, declamado por Luís Moura Ramos.

‘O Caranguejo’

O cheiro do sal.
O barulho das ondas.
A água que sabe a sangue antigo.
O mar que ondula entre os meus pés
neste azulão da maré-baixa
a fervilhar de bichos ensopados
(búzios, ametistas, algas e rubis),
foi-me trazido agora mesmo
pelas pinças arqueadas
deste caranguejo.
Não consigo evitar
uma estrela-do-mar
no sorriso.

Isabel Pires

Boa visita!


MUSEOMANIA...

A rúbrica que dedicamos, em cada sábado, aos mais novos e às famílias!
Não nos esquecemos do desenho para colorires e juntares à tua coleção do MNMC!
É a placa heráldica do século XVI (MNMC1400), que deixámos para montares o puzzle.
Diverte-te! 

Placa Heráldica do século XVI (MNMC1400)


Sábados é dia de MUSEOMANIA... a rúbrica que dedicamos, em cada sábado, aos mais novos e às famílias!
Para desenvolverem uma atividade em família propomos mais um puzzle, com a placa heráldica do século XVI (MNMC1400).
Produzida em Sevilha, esta placa em cerâmica – representando as armas do Bispo D. Jorge de Almeida e a sua divisa NEQUID NIMIS (Não de mais) – é um documento raro. Desconhece-se o uso e o local exato para que esta peça foi concebida; no entanto, pode-se afirmar que sempre pertenceu ao Paço Episcopal, pois fazia parte do seu espólio, diretamente transferido para o MNMC em 1912. A técnica de 'corda seca' usada no seu fabrico, de origem hispano-mourisca, consistia em desenhar o contorno dos motivos decorativos com a mistura de óleo de linhaça e manganês, o que evitava que as cores se misturassem.

Se quiser observar em pormenor e conhecer melhor esta peça, pode fazer o puzzle que preparámos especialmente para si

Placa Heráldica do século XVI (MNMC1400)



Rúbrica [comRESERVAS]

‘ESTA CASA HE DA CIDADE’ é a inscrição que pode ler-se na placa heráldica apresentada por Pedro Ferrão, conservador do MNMC, na rúbrica [comRESERVAS]. Integrando um conjunto de 12 placas heráldicas do século XV ao XVII, eram colocadas por cima das portas das casas que pertenciam ao município de Coimbra e fazem parte, atualmente, da coleção do MNMC.
 
Conheça em detalhe a história que esta placa evoca!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

'Museus Centenários de Portugal' - vol. II

Já se encontra disponível nas lojas dos CTT, físicas e online, o volume II de 'Museus Centenários de Portugal'. Da autoria de Cristina Cordeiro e fotografia de Manuel Aguiar inclui visitas a 12 museus portugueses, entre eles o Museu Nacional de Machado de Castro, e a respetiva emissão de selos homónima..
Saiba mais em: CTT



 

‘A ESCOLHA… DO CONSERVADOR’ | Exposição 'Metamorphosis: Cenários em Azul e Branco' comissariada por Ana Alcoforado

Na rúbrica das quartas-feiras - ‘A ESCOLHA...' - destacamos visitas e obras das coleções do Museu, pela mão do conservador ou comissário, sob a sua perspetiva histórica e técnica.
HOJE, apresentamos a visita à exposição 'Metamorphosis: Cenários em Azul e Branco' comissariada por Ana Alcoforado, Diretora do MNMC, em que através do azulejo são criados cenários tipicamente barrocos, explorando temas da mitologia greco-romana, numa transposição para as 'Metamorfoses' de Ovídio. Esta exposição esteve patente no MNMC no âmbito do 9° Festival das Artes'17, numa parceria com a Fundação Inês de Castro.



INFORMAÇÃO | ALTERAÇÃO DE HORÁRIO

O Museu Nacional de Machado de Castro (MNMC) reabriu ao público no passado dia 18 de maio - Dia Internacional dos Museus, com novas regras que visam regular a presença e a circulação dos nossos visitantes, no quadro das normas estabelecidas pela Direção-Geral de Saúde, de combate à pandemia de COVID-19.
Essas regras foram previamente divulgadas, juntamente com o horário de abertura ao público que, entretanto, sofreu alteração.
Assim, a partir de 1 de junho informamos que o MNMC volta a funcionar com o seguinte horário:
- terça-feira | 14h00 ás 18h00

- quarta-feira a domingo | 10h00 às 18h00
- encerra à segunda-feira
Agradecemos a melhor compreensão relativamente às medidas adotadas que, apesar dos constrangimentos que impõem, são importantes para a segurança de todos os que nos visitam.

Esperamos por si!



Museus, Palácios e Monumentos Nacionais distinguidos com o selo ‘Clean & Safe’

O Turismo de Portugal criou o selo ‘Clean & Safe’ para distinguir as organizações do setor do Turismo que cumpram as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS) no combate à propagação da COVID-19. Esta medida pretende reforçar a confiança no destino Portugal, com o envolvimento dos profissionais do setor e apelando à responsabilidade de todos.
Distinguido com este selo de garantia, o Museu Nacional de Machado de Castro implementou novas medidas de salvaguarda das condições de segurança dos visitantes e colaboradores, nomeadamente ao nível da higienização e desinfeção sistemática dos espaços do Museu seguindo as recomendações da DGS. Este é mais um motivo para se sentir em segurança durante a sua visita.
 
Esperamos por si!



Portugal: Arte e Património

Descubra a 'bela e centenária herança da Arte Portuguesa'



segunda-feira, 1 de junho de 2020

Dia Mundial da Criança no MNMC

'A Burra Bonita' continua a visitar o Museu neste Dia Mundial da Criança.
Depois de ter passado a manhã nas galerias de escultura decidiu, esta tarde, explorar a coleção de ourivesaria do MNMC, onde encontrou a Cruz-relicário associada à vida de São Francisco Xavier (séc. XVII | MNMC6210).
Conhece esta história contada pela 'Burra Bonita', numa dramatização de Maria José Costa.
 
Feliz Dia da Criança!

HOJE comemora-se o Dia Mundial da Criança

A data visa recordar os seus direitos, tal como ficaram definidos em documento adotado unanimemente pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1989. A convenção, o mais amplo tratado internacional alguma vez ratificado, assenta em quatro princípios fundamentais: a não discriminação; a garantia do seu melhor interesse; o direito à vida, à sobrevivência e ao desenvolvimento; e o respeito pelas suas opiniões.
O MNMC assinala esta data com a visita da 'Burra Bonita' pelo espaço museológico, numa dramatização de Maria José Costa.
Fiquem atentos... À tarde temos novidades!
 
Divirtam-se e tenham um Feliz Dia!


‘VErso e REverso da obra de arte’ | Relicário dos Mártires de Marrocos | 31 de Maio de 2020

Ontem folheamos mais uma página de #versoREverso da obra de arte, a nossa rúbrica de domingo, no capítulo da Ourivesaria com o relicário do século XVI (MNMC6089), que contém uma relíquia óssea de um dos Mártires de Marrocos e que inspirou Isabel Pires no poema ‘Fala do Relicário dos Mártires de Marrocos’, declamado por Luís Moura Ramos.

‘Fala do Relicário dos Mártires de Marrocos’
(Henrique Domingues e António Domingues)

Eu me confesso um assassino.
Eu aprisionei este osso sepulcral
que ouviu na morte não sei que exclamação.
Fizeram-me íntimo dos braços que com raiva
levantaram o sabre e o despenharam
no abismo – e assim fabricaram mártires
que pingam sangue morto. E vi desprezo.
Eu adivinhei as mãos ambas que agarraram
este pedaço sangrento da memória
e o apartaram da cova que era o seu destino.
Fui cúmplice de tudo: do medo e da coragem,
da viagem no mar Mediterrâneo, do talhe
em cabochão das várias pedras. Fui banhado a oiro
para que este osso ficasse prisioneiro.
O Lorvão é escuro e come os corações
constantemente. A nave do mosteiro ecoa,
e as sandálias apressadas das noviças
nunca mais chegavam para me ver.
Catarina d’Eça, a abadessa, fez um gesto
e olhou-me muito tempo com triunfo.
E eu, um assassino. Sou o guardião
de um braço de homem,
não posso estar inocente.
O cheiro adocicado deste osso
Está aqui sempre.

Isabel Pires

Boa visita!

MUSEOMANIA…

Conseguiste montar o puzzle que partilhámos? Certamente que sim! Agora, deixamos o desenho com o leão que já conheceste no puzzle, para colorires e juntares à tua coleção do MNMC.
 
Diverte-te!

MNMC  11776


Museomania

MUSEOMANIA é a rúbrica que dedicamos, em cada sábado, aos mais novos e às famílias!
Propomos mais um puzzle, com diferentes níveis de dificuldade, para desenvolverem uma atividade em família, com a figura de um leão retirada de um azulejo de figura avulsa da coleção de cerâmica do MNMC (1500-1525 | MNMC11776). Este azulejo foi provavelmente fabricado em Sevilha, numa altura em que coexistiram as técnicas de ‘corda seca’ e ‘aresta’ usadas para isolamento dos diversos esmaltes coloridos.
Se quiser observar em pormenor e conhecer melhor esta peça, pode fazer o puzzle que preparámos.

Divirtam-se!



[comRESERVAS]

Dar a conhecer os 'invisíveis' do Museu é o mote da rúbrica das sextas-feiras [comRESERVAS]. 
A conservadora Virgínia Gomes leva-nos à reserva de pintura do MNMC para nos apresentar três obras de Henrique Pousão, jovem e inovador artista que se destacou na pintura de paisagem. Duas destas obras são provenientes da Escola Livre das Artes do Desenho e foram trazidas para o Museu, em 1916, pelo primeiro diretor, António Augusto Gonçalves e a terceira doada por um colecionador particular, em 1944.
 
Convidamo-lo(a) a conhecer em pormenor a obra de Henrique Pousão!


quinta-feira, 28 de maio de 2020

O 'Olhar do Visitante' | O olhar partilhado por Isabel Rebelo

As múltiplas abordagens e olhares que o Museu desperta, na atualidade, constituem por vezes momentos de partilha únicos, que destacamos todas as quintas-feiras, na rúbrica 'o olhar do visitante'.
HOJE, apresentamos a coleção de escultura do MNMC pelo olhar de Isabel Rebelo.
Boa visita!


HOJE comemora-se o Dia Internacional do Brincar!

O MNMC associa-se ao 'Coimbra a Brincar' com ‘A Burra Bonita’, uma dramatização de Maria José Costa, que apresenta a 'Cruz Relicário' referente a S. Francisco Xavier, da coleção de Ourivesaria do MNMC. Esta é uma forma divertida de abordagem da arte!

‘A ESCOLHA… DO CONSERVADOR’ | Cofre Indo-português

No seguimento da rúbrica das quartas-feiras, apresentamos A ESCOLHA de Ivone Tavares - o 'Cofre Indo-português' do final do séc. XVI, da coleção de Mobiliário do MNMC.
 
Conheça a história que esta peça evoca!











Projetos do MNMC

Dando continuidade à nossa rúbrica das terças-feiras em que divulgamos alguns dos projetos mais inovadores do MNMC,  apresentamos 'O Jardim de Infância à Descoberta do MNMC - Vem Daí ao Museu', uma parceria com estabelecimentos de educação pré-escolar de Coimbra.



segunda-feira, 25 de maio de 2020

Em Revista | 'Engenharia Romana'

Na rúbrica das segundas-feiras, #emRevista, apresentamos hoje a série 'Engenharia Romana' da RTVE, documentário sobre as imponentes obras de engenharia construídas nas cidades do Império Romano. Neste episódio pode ver-se do minuto 43’13’’ ao 47’, o ‘Criptopórtico de Aeminium’, datado do século I D.C., considerado o melhor edifício de época romana conservado em Portugal. Com uma função arquitetónica, o Criptopórtico serviu de plataforma para erguer o Forum romano: praça pública onde se realizavam as principais funções da urbe - religiosa, política e administrativa.

‘VErso e REverso da obra de arte’ | Cálice D. Gueda Mendes | 25 de Maio de 2020

Elegendo o Museu como o lugar poético da memória, esta rúbrica, publicada em cada domingo, constitui-se como um encontro entre a obra de arte e a palavra poética, lançando um outro olhar sobre algumas obras de referência do MNMC.
ONTEM, apresentamos uma obra-prima da ourivesaria do século XII - o Cálice, uma oferenda de D. Gueda Mendes ao Mosteiro de S. Miguel de Refoios, que integra, atualmente, a exposição permanente do MNMC, inspirador da poesia de João Miguel Fernandes Jorge declamada por Cândida Ferreira.

Cálice | Séc. XII | MNMC6030
Este cálice de prata dourada foi uma oferenda de D. Gueda Mendes ao Mosteiro de S. Miguel de Refoios. Obra-prima da ourivesaria do séc. XII, quer pela proporcionalidade e depuração das formas, quer ainda pela riqueza do programa iconográfico, representa, na copa, Cristo e os Apóstolos e, no pé, os símbolos dos evangelistas: S. Marcos é o leão; S. Mateus, o anjo; S. Lucas, o touro e S. João, a águia.
As figuras, bem como os seus enquadramentos, ao gosto românico, são executadas num relevo pouco acentuado que igualmente se observa nas legendas que contornam o bordo e a orla do pé. Este cálice utiliza um programa decorativo profuso, sem paralelos nacionais, em que a representação figurativa prevalece sobre a geométrica ou vegetalista.

'Cálice'

Deixou os dedos perderem-se
no tempo que foi o da taça
na juba do leão de Marcos
na asa do anjo que figura Mateus
no ouro que desprende mais brilhos nos cornos do touro de Lucas
para depois sentirem a lonjura na águia de João.
D. Gueda Mendes, Senhor que foi
em Terras de Basto nos anos primeiros do reino
ao Abade do Mosteiro de S. Miguel de Refojos, o cálice
fez em oferenda. Quando o vaso doou
ecoaram no Capítulo –
nenhum santo nenhum sábio
pode evitar o céu
desde tempos antigos
a terra dá-nos um destino
visto haver vida há que morrer
E os dedos demoraram no relevo da prata dourada.
João Miguel Fernandes Jorge

sábado, 23 de maio de 2020

MUSEOMANIA…

HOJE, deixamos dois desenhos para colorires e juntares à tua coleção do MNMC. Parecem iguais? Mas não são! Existem sete diferenças. Desafiamos-te a encontrá-las!
O desenho retrata uma cena de caça retirada de um Frontal de Altar do século XVII (MNMC1426), proveniente do Convento das Ursulinas, como podes observar no canto inferior direito da imagem. Este frontal de altar ostenta ainda, na parte superior, a típica decoração de aves e ramagens, de inspiração indiana, centrada por um escudo carmelita.

Diverte-te! 

Frontal de Altar do século XVII (MNMC1426)





Sábado é dia de MUSEOMANIA…

Nesta rúbrica semanal dedicada aos mais novos e famílias, propomos mais um puzzle, com diferentes níveis de dificuldade, para desenvolverem uma atividade em família.
Sabes quem foi João de Ruão? Nós ajudamos!
João de Ruão foi um reconhecido escultor e arquiteto normando, que trabalhou em Portugal durante mais de 50 anos (século XVI). A sua ação foi marcante para a introdução e consolidação dos valores renascentistas no nosso país, centralizada sobretudo em Coimbra, onde tinha oficina.
HOJE, sugerimos que explores o retábulo ‘Virgem com o Menino’ | 1544 | MNMC11222.
Produzido em calcário policromado, representa a Virgem com o Menino sentada num trono de espaldar, com a coroa segura por dois anjos e a pomba do Espírito Santo. Anjos músicos, o Cordeiro Pascal e o cálice da Eucaristia ladeiam a Virgem, num enquadramento arquitetónico muito simples. Um excelente testemunho da qualidade dos baixos-relevos de João de Ruão, proveniente de uma capela particular em S. Silvestre, nos arredores de Coimbra.
Se quiseres observar em pormenor e conhecer melhor esta peça, podes fazer o puzzle que preparámos especialmente para hoje.

Retábulo, Virgem com o Menino
1544
João de Ruão
176 x 110 cm
MNMC11222


[comRESERVAS] | Coleção significativa de vidros do MNMC

Na rúbrica das sextas-feiras, António Pacheco, conservador do Museu, apresenta
algumas peças da coleção significativa de vidros do MNMC, composta por cerca
de 140 exemplares representativos da produção portuguesa nos séculos XVIII e
XIX, provenientes maioritariamente de conventos extintos, integrando também
peças importadas.



quinta-feira, 21 de maio de 2020

Quinta-feira da Ascensão de Cristo

Hoje assinala-se a Quinta-feira da Ascensão de Cristo, popularmente conhecida pelo Dia da Espiga, aludindo às primeiras colheitas do ano.
Na região de Coimbra, após o passeio matinal para colher a espiga e as flores campestres que compunham o ramo - a espiga simbolizando o pão; o malmequer o ouro e a prata para que não falte o dinheiro; o ramo de oliveira a luz e a paz, o alecrim a força e a saúde e a papoila o amor e a vida - as pessoas faziam todos os anos, por esta altura, uma visita ao Museu Machado de Castro, como nos dão nota os sucessivos registos nos diários deste Museu. O número de visitantes (mais de 3000) atesta bem a importância desta tradição.



O 'Olhar do Visitante' | O olhar partilhado por Isabel Rebelo

Dedicamos as quintas-feiras ao 'olhar do visitante'.
HOJE, apresentamos a coleção de Ourivesaria do MNMC pelo olhar de Isabel Rebelo.
Boa visita!


Horário

No seguimento do plano gradual de desconfinamento, alterámos o horário de funcionamento do Museu até 31 de maio.
A segurança de visitantes e trabalhadores é a nossa prioridade! Para tal, implementámos medidas de reforço e de salvaguarda dessa segurança, de acordo com as diretivas da DGPC e da DGS.

Aguardamos pela sua visita!

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Sabia que... hoje é o Dia Mundial da Metrologia?

Foi a 20 de maio de 1875, que 17 países (incluindo Portugal) assinaram a Convenção do Metro em Paris, estipulando as bases de medição no mundo com o Sistema Internacional de unidades (SI).
Pesos e medidas com valores exatos, universalmente aceites, tal como hoje os conhecemos, só existem, portanto, desde o séc. XIX.
Para expressar o comprimento, a superfície e o volume das coisas, os homens começaram por relacioná-los com o seu próprio corpo: o pé, o passo, a polegada, o palmo, as braças, o côvado, a mão…
No entanto, o desenvolvimento das trocas comerciais exigiu mais rigor, conduzindo à invenção de unidades-padrão.
A grande diversidade de pesos e medidas e os diferentes nomes que lhes eram atribuídos, de região para região, suscitaram várias tentativas régias para uniformizar os padrões a nível nacional.
O Museu Nacional de Machado de Castro tem na sua coleção um núcleo constituído por vários pesos e medidas, que pertenceram ao concelho de Coimbra, desde a reforma de D. Manuel I a D. João VI.
São peças em bronze, que apresentam as armas reais, e foram adotadas como medidas-padrão, quer para líquidos - o almude (unidade fundamental), o meio almude, a canada, a meia canada, o quartilho e o meio quartilho; quer para sólidos - alqueire (unidade fundamental), meio alqueire, quarta, oitava e fanga (equivalente a 4 alqueires).
Como curiosidade, damos nota de que é ainda usada nos nossos dias, a expressão ‘não tem os alqueires bem medidos’ no caso de quem apresente comportamentos desviados dos padrões socialmente considerados normais.




Alqueire | 1575 (Reforma de D. Sebastião) | Bronze
MNMC8239c


Caixa de pesos-padrão | 1499 (Reforma de
D. Manuel) | Bronze | MNMC12209

Caixa de pesos-padrão | 1499 (Reforma de
D. Manuel) | Bronze | MNMC 12208

Almude | 1575 (Reforma de D. Sebastião) | Bronze MNMC12218

Quartilho | 1575 (Reforma de D. Sebastião) | Bronze
MNMC 12205

‘A ESCOLHA… DO CONSERVADOR’ | Retábulo da Rainha Santa Isabel | 20 de Maio de 2020

Na rúbrica das quartas-feiras - ‘A ESCOLHA…’ - destacamos visitas e obras das coleções do Museu, pela mão do conservador ou comissário, sob a sua perspetiva histórica e técnica.
HOJE, apresentamos a escolha de Virgínia Gomes, conservadora da coleção de Pintura do MNMC - o retábulo ‘Rainha Santa Isabel’ do séc. XVI.



Reabrimos anteontem, Dia Internacional dos Museus!

Associámo-nos ao DIM2020 com forte presença nas redes sociais, divulgando ao longo do dia alguns dos projetos mais inovadores desenvolvidos em parceria com diferentes instituições, que têm merecido o olhar da comunidade e a referência de boas práticas, em diferentes áreas de intervenção, da investigação, à educação, à acessibilidade e à inclusão.
Dentro de portas, realizámos uma VISITA-HOMENAGEM de caráter simbólico para profissionais da linha da frente, orientada pela diretora e pelos conservadores do Museu, numa manifestação de reconhecimento a todos quantos pelo seu trabalho e abnegação permitiram a reabertura neste dia!
Partilhamos o registo de alguns momentos!